Resumo
O estudo do que é a verdade e o que é o conhecimento verdadeiro constituem a base para o surgimento da filosofia clássica, iniciando este debate no período que antecede a filosofia socrática e culminando com a síntese realizada por Aristóteles. Partindo desta perspectiva e destas bases, é possível afirmar que a teoria do conhecimento surge com a superação mitológica levada a efeitos pelos pré-socráticos, na medida em que o intelecto, considerado a partir das sensações e dos sentidos nesse primeiro momento, passa ser a referência para a explicação da realidade e das coisas que existem no mundo. Tal concepção será profundamente questionada a partir de Platão e a dualidade por ele estabelecida entre o mundo sensível e o mundo inteligível. Será Aristóteles, no entanto, o primeiro grande filósofo a realizar uma análise retrospectiva destas teorias, na medida em que, ao afastar, por um lado, os sentidos como instrumento essencial para a compreensão da realidade e da essência das coisas, e, por outro, a dualidade entre o mundo sensível e o mundo inteligível enquanto realidades distintas que não se comunicam objetivamente, a filosofia aristotélica insere a empiria e a experiência como instrumentos fundamentais para o acesso aos primeiros princípios, ambas realidades passando a ser relacionar e, por isso, fundamentais para aquele que se lança ao estudo da filosofia e a compreensão do verdadeiro conhecimento.
Referências
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